domingo, 29 de janeiro de 2012

Pastor de púlpito e não de ovelhas

Tenho observado um comportamento extremamente comum nas igrejas evangélicas de todo o país. É o pastor de púlpito, e sempre com ótima homília, mas que nunca visitam as “ovelhas da igreja”. Ou mandam os presbíteros visitar os membros, ou fingem que os membros não existem perante a igreja…
Vamos a reflexão…
Primeira reflexão: qualquer um do corpo eclesiástico da igreja pode visitar, ou seja, importante é fazer visitas (menos o pastor); segunda: a igreja já é suficiente em si mesma para prover toda e qualquer orientação para os “candidatos a membros ” ou “membros definitivos”. A LITURGIA É SUFICIENTE EM SI MESMA PARA ALIMENTAR A IGREJA!
Muitos desses pastores acabam depois de muito “pastorear” saindo pela porta dos fundos da igreja. Os próprios membros da igreja pedem para o “pastor” sair, pois não cuida de ovelhas, mas cuida bem do púlpito: ar condicionado na igreja, cadeiras de belo estofamento, coral com belas músicas, mas muito longe daquilo que Jesus pediu “as ovelhas conhecem a minha voz”.
Se conhecem, é porque houve um contato pessoal, e não contato pelo púlpito da igreja.
Falo isso, pois já presenciei isso em minha vida duas vezes. O primeiro pastor pertencia a uma igreja evangélica tradicional no Brasil. Foi expulso dessa, e criou uma igreja de denominação muito parecida com a tradicional em Marília. Foi um fiasco…
O outro chegou com toda a pompa para superar um homem de Deus aqui em Marília, muito educado, e que se transferiu para outra cidade do Brasil. Logo o pastor substituto, afastou o presidente do coral, e fez política de coaptação dentro da igreja com os atuais presbíteros. Ou seja, pastor e presbíteros , só com títulos de cargos eclesiásticos, mas muito longe do apregoado por Jesus “as ovelhas conhecem a minha voz”. Nunca recebi visita de pastor ou de presbíteros…
Para finalizar, sugiro cuidado com igrejas bonitas na mobília, centrais na cidade, mas frias no acolhimento, sem visitas pastorais.
Sugiro a leitura do livro de David de Hansen “A Arte de Pastorear”, e ainda refletir que os pastores de hoje precisam aprender que pastorear não é apenas pregar, administrar, ensinar ou dirigir a liturgia. É possível fazer todas essas coisas sem realmente pastorear.
Pastorear é acima de tudo cuidar.
Observe que Paulo disse aos anciãos (presbíteros) de Éfeso, conforme At 20.28:
-Cuidem por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu pastores, para pastoreardes a igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue.
Cuidar de si mesmo é pré-requisito para quem pretende cuidar de outros.
Hoje se fala em conservar saúde física e mental, família e finanças ordenadas, boa administração do tempo, vida devocional, disciplina de estudos. Porém, é pouco provável que Paulo estivesse pensando nisso quando recomendou “cuidado”. A preocupação do apóstolo visava perseverança na fé e no ensino, alertava sobre o perigo dos falsos mestres, da ganância e dos desvios de conduta.
Os grandes males que têm destruído ministérios pastorais são: a imoralidade sexual, em todas suas manifestações; a arrogância e o orgulho, que trazem a reboque os desvios doutrinários e a tirania religiosa; a vaidade, a inveja e a cobiça, que levam alguns a tentar viver num padrão que não podem ou desejar coisas que não precisam.
Cuidar do rebanho de Deus é um privilégio.
Moisés teve que aprender a cuidar dos rebanhos de seu sogro antes de liderar Israel; um rei foi escolhido por ter “coração de pastor”, capaz de por a vida em risco na luta contra um urso e um leão para defender uma única ovelha. Ora, se Davi era tão cuidadoso com o rebanho de Jessé, não seria também achado fiel no cuidado do rebanho de Jeová?
No dia a dia do ministério pastoral o grande desafio é não perder a ternura, o prazer de ter cheiro de ovelha, o gosto de conduzir, de guiar sem opressão, apenas sendo modelo, exemplo de fé, pureza e amor. É a tarefa mais excelente dentre as muitas oportunidades de servir no Reino de Deus, daí serem muitos os líderes, mestres, evangelistas, profetas, cantores e administradores que são chamados de pastores. Muitos têm o título, pois é cultural se dar maior valor as expressões como “pastor”, “reverendo”, “bispo” e hoje até “apóstolo”.
Todavia, nem estes todos que usam o título têm coração de pastor.
PASTOR DE PÚLPITO E NÃO DE OVELHAS…
É isso precisamos de pastores com coração de pastor.
Vamos refletir…

Autor: PROF. DR. MILTON MARCHIOLI
• Graduação em Medicina pela Faculdade de Medicina de Marília (1988)
• Mestre em Medicina pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (1999)
• Doutor em Medicina pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho - UNESP (2003)
• Docente da Faculdade de Medicina da Universidade de Marília (UNIMAR) de 1998 a 2005 nas disciplinas de Semiologia Médica e Nefrologia
• Docente da Faculdade de Medicina de Marília (FAMEMA) desde 2006 na disciplina "Educação em Ciências da Saúde"
• MBA em Gestão de Hospitais e Sistemas de Saúde 2007-2008 (UNIVEM)
• MBA em Direito do Trabalho 2009-2010
• Aluno do curso de Direito da UNIVEM. Início em 2010
• Perito na Justiça Federal de Marília - 11ª Subseção Judiciária de São Paulo desde 2008. Perito da Justiça do Trabalho desde 2009
• Produtor e apresentador de temas de Saúde Pública e Saúde Suplementar da Cooperativa Médica de Marília - Unimed Marília entre 2005 e 2010

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