quinta-feira, 31 de julho de 2008

A oração

A oração, enquanto comunicação com Deus, não está vinculada à postura física. Podemos orar em pé, andando, correndo, sentados ou deitados (At.3.8; Salmo 149.5), mesmo porque alguma circunstância ou enfermidade pode restringir nossos movimentos. Contudo, é bíblica a atitude de se orar de joelhos (Mc.1.40; Lc.22.41; At.9.40; 20.36; 21.5). Não podemos criar uma doutrina fixa em torno dessa prática, mas devemos reconhecer sua validade.

Surge então a questão: Qual é a importância de tal postura?

O ato de ajoelhar-se diante de alguém faz parte dos costumes humanos desde as mais antigas civilizações. A passagem de um rei, de uma rainha, ou de outra pessoa a quem se quisesse honrar ou suplicar, era motivo para que os indivíduos se ajoelhassem ou mesmo se prostrassem com o rosto em terra (Et.3.2; Gn.17.3,17; 18.2; 19.1; 37.10; 42.6). Daí vem a palavra “adoração” no sentido de “prostração”. Tal reverência exigida pelos monarcas era também demonstrada nas religiões como ato de culto aos ídolos (Êx.20.5), ou até mesmo ao verdadeiro Deus (Gn.24.52; Ap.7.11). O próprio Satanás, querendo que Cristo o adorasse, gostaria que o fizesse prostrado diante dele (Mt.4.9).

Embora possamos orar de pé, e em muitos casos será necessário fazer assim, essa posição pode indicar a altivez de quem ora (Mt.6.5). A expressão “de dura cerviz”, usada no Velho Testamento, significa exatamente aquele que não se dobra, não se inclina.

Ajoelhemo-nos diante do Senhor, mas não por obrigação, não por falsidade (Mc.15.19), não como prática meramente religiosa, mas conscientes de todo o significado de tal postura. Quando nos ajoelhamos, estamos realizando um ato simbólico, indicando que reconhecemos o Senhor como Rei e nos colocamos diante dele como súditos, submissos à sua vontade, humilhando-nos diante da sua santidade, suplicando sua misericórdia e seu favor para conosco.

Que o nosso corpo ajoelhado seja a expressão de uma alma prostrada diante de Deus e uma vida de obediência a ele. E quando nos levantarmos, levemos conosco o propósito de servir àquele a quem adoramos (Mt.4.10).

Embora seja bíblico o ato de ajoelhar-se, não existe nenhum mandamento nesse sentido. O Senhor nos deixou à vontade para demonstrarmos livremente a nossa adoração, a nossa reverência diante dele.

O salmista nos convida: “Oh, vinde, adoremos e prostremo-nos; ajoelhemos diante do Senhor, que nos criou”. (Salmo 95.6).

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