segunda-feira, 23 de junho de 2008

O jejum bíblico

Texto: Extraído Do Livro Apartando-Se Do Erro.
Autor; Edenisio Rodrigues.


O jejum bíblico.
Em uma época, que os restaurantes e churrascarias se multiplicam, o jejum parece estar a cada dia mais fora de moda, por esta razão e, por ignorar o que as escrituras ensinam sobre o assunto, muitos cristãos estão tornado-se cépticos com relação a prática do jejum. Decorrente desta onda de ceticismo, surgem as seguintes perguntas; É bíblico jejuar? O jejum é uma prática recomendada ao cristão em nossos dias? O que é certo no jejum?
É mencionado na bíblia, o jejum de muitos, dentre eles destacam-se;
Moisés1, Ana2, Davi3, Jesus 4, os discípulos de João Batista5, e tantos outros.
De acordo com o estudo das escrituras, existem pelo menos três tipos de jejum:

a) Jejum típico: Este não implica em abstinência de líquidos, mas apenas de alimentos sólidos, após o jejum de 40 dias e 40 noites no deserto, vemos que Jesus teve fome, como seria fisicamente impossível jejuar por tanto tempo sem ingerir líquidos, abstendo-se apenas de alimentos sólidos. Grande número dos estudiosos da bíblia acreditam que Jesus bebeu água no deserto

b) Jejum completo: Também chamado de jejum absoluto, consiste na abstinência de alimento e de água. Deverá ser praticado acercado de cautela e não pode ser muito prolongado, devido aos riscos de saúde.

c) Jejum parcial: Este é caracterizado pelo que se come e pela freqüência com que se come. Em primeiro lugar, o jejum parcial significa abster-se de certos alimentos. Alguns estudiosos das escrituras interpretam a atitude de Daniel, em não comer do manjar do rei6, como um jejum parcial. Em segundo lugar, este tipo de jejum implica em abster-se de certos alimentos durante um determinado período de tempo.

Na maioria das vezes, o jejum bíblico durava apenas um dia, ia de pôr do sol a pôr do sol. Isto é, a pessoa não comia nada desde o anoitecer até o fim da tarde do dia seguinte7. Então, ela podia ingerir algum tipo de alimento. Apenas Moisés, Elias, e Jesus Cristo, são indicados na bíblia como tendo jejuado 40 dias seguidos. Independentemente de qualquer determinação normativa quanto a duração do Jejum, o interessante é que cada um busque a orientação divina neste sentido.
Talvez lhe cause estranheza a afirmação de que existem alguns perigos na prática indiscriminada do jejum. Talvez, seja por isso que a bíblia não tenha um mandamento explícito com respeito a melhor ocasião para o jejum e a duração dele.
Dentre os principais perigos que cercam a prática do jejum, destacam-se os seguintes:

a) Perigos de natureza física; quando praticado abusivamente e sem orientação específica.

b) Jejum sem oração, é mera privação de alimentos, e não terá nenhum valor diante de Deus.

c) Outro grande perigo do jejum, é o problema da hipocrisia, que as vezes, cerca essa questão.

d) O legalismo também é um perigo relacionado com o jejum.

e) Mais um perigo do jejum, é identificá-lo com espiritualidade.

O jejum se destingue da greve de fome, cujo o propósito é adquirir poder político ou atrair a atenção para uma boa causa. Distingui-se, também da dieta de saúde, que acentua a abstinência de alimento, para propósitos físicos e não espirituais.
Devemos jejuar pela nossa nação? É público e notório que a nossa Pátria vive uma crise política, moral, espiritual, sem precedentes. Alguns meios de comunicação em massa, transformam os lares brasileiros em verdadeiras lixeiras, com as suas programações recheadas de promiscuidades sexuais. O crescente interesse pelo fetichismo, o espiritismo e de mais formas de ocultismo, tem feito do Brasil um centro de ação das forças do inferno. Urge, pois, jejuarmos e orarmos a Deus pedindo que Ele sare a nossa nação8.
Devemos jejuar pelos nossos próprios problemas? Certamente que a igreja no Brasil tem perdido muito da força do seu testemunho. A sua presença hoje, quase já não é notada como uma influência positiva, junto à comunidade da qual é parte. É o sal perdendo seu sabor e, sendo pisado pelos homens9. Por que isto vem acontecendo? Vem acontecendo pela ausência de poder espiritual na vida do cristão como indivíduo. Deveríamos agir como Daniel, que quando achava-se diante de obstáculos espirituais aparentemente intransponíveis, jejuava e orava10, por isso, o Senhor atendia-lhe a petição11. O jejum disciplina o corpo, tornando-o um instrumento útil para Deus e seus serviços12. Quando jejuamos estamos afirmando que o estômago não é nosso Deus13 Devemos jejuar em períodos de aflições? Israel fez isso muitas vezes. Jejuou face a uma iminente guerra com os benjamitas14, bem como antes de uma terrível batalha contra os filisteus15.
Na sua aflição em busca de um filho, Ana chorava e não comia16, pelo jejum, Davi demonstrou a sua intensa dor face a trágica morte de Abner17.Evitemos jejuar na aflição apenas como forma de dar um atestado de compaixão por nós mesmos. O mérito do jejum em períodos de grande aflição, consiste em que ele torna a nossa oração mais eficaz, com isto acionando o livramento divino.
Devemos jejuar antes de tomarmos grandes decisões? Antes de começar o seu ministério público, Jesus jejuou durante quarenta (40) dias e quarenta (40) noites18. O envio de Saulo e Barnabé como missionários da igreja em Antioquia, foi precedido de um período de jejum e oração19. Quando jejuamos antes de tomarmos grandes decisões de caráter espiritual, estamos testificando das nossas limitações pessoais, bem como demonstrando a nossa decisão de confiar nas possibilidades e promessas de Deus. Esta é uma forma humilde e dependente de chamar Deus a intervir.
Devemos jejuar na esperança da vinda do noivo? Face à pergunta dos discípulos de João Batista;
- "Por que jejuamos nós e os fariseus muitas vezes, e os discípulos não jejuam?".
Jesus respondeu:
- "Podem porventura andar tristes filhos das bodas, enquanto o esposo está com eles? Dias porém, virão em que lhes será tirado o esposo e então jejuarão"20.
Em outras palavras: enquanto Jesus estivesse com os seus discípulos, era compreensível que eles não jejuassem; porém, tão logo Ele (o Esposo) voltasse ao céu, os seus discípulos haveriam de jejuar.
Contemporâneos dessa ausência física temporária do Esposo, devemos jejuar na esperança e na expectativa da sua manifestação triunfal, orando ansiosamente:
· "Vem depressa amado meu.. ." 21
· "O espírito e a esposa dizem: vem... " 22
Jejuar é muito mais que abster-se de alimentos, o antigo testamento define o jejum como afligir a alma23, deste modo, para que o jejum tenha algum valor perante Deus, é preciso que ele tenha um objetivo espiritual específico, Quanto à maneira correta de jejuar, atente para as seguintes recomendações práticas, algumas extraídas do ensino do próprio Jesus.

a) Determine o tempo de duração do jejum. Não é bom iniciar o jejum sem a decisão prévia, quanto ao tempo de duração. Para o crente que não tem o costume de jejuar, o melhor é começar jejuando em espaços de tempo menores, e ir aumentando o tempo de duração, à medida que tenha experiência no jejum.

b) Comece abstendo-se de alimentos apenas sólidos. Já mostramos o risco do corpo permanecer por muito tempo sem ingerir líquidos, principalmente nas primeiras experiências do jejum, porém, na medida que você adquire o hábito de jejuar, pode ir abstendo-se de líquidos também.

c) Planeje algum tempo de oração durante o jejum. Como dificilmente podemos nos dar à meditação e à oração enquanto trabalhamos, seria pouco recomendável jejuar durante o exercício de nossas atividades diárias. Jejum e oração estão interligados.

d) Dê lugar ao arrependimento no seu coração. Em Davi temos o exemplo dum homem humilde diante de Deus. Ele mesmo diz: "Chorei, e castiguei com jejum a minha alma, mas até isto se me tornou em afrontas" 24. O jejum que não torna o nosso coração manso e humilde, acessível ao arrependimento, tem menos valor que uma greve de fome.

e) Escolha alguns versículos para meditação. Dentre outras, o jejum tem a propriedade de aprofundar a meditação, portando, nada melhor para meditar do que na palavra de Deus. Devemos meditar nos versículos que se tornam ponto de apoio para nossas petições durante o jejum.

f) Jejue com um propósito específico. Ester e suas companheiras jejuaram no sentido de que os filhos de Israel fossem salvos da tirania de Hamã25. Jesus jejuou quarenta dias e quarenta noites com o propósito de vencer o adversário e inaugurar o seu ministério terreno de forma triunfal26. De igual modo nós devemos ter um propósito específico em vista ao tomarmos a decisão de jejuar.

g) Jejue com uma atitude de perdão. Ira, amargura, ciúme, discórdia, e medo, se estes sentimentos estiverem dentro de nós, aflorarão durante o jejum. A princípio pensaremos que a ira é devido a fome; depois descobriremos que estamos irados por causa do espírito de ira e a ausência duma atitude de perdão, que há dentro de nós.

h) Jejue, não como os hipócritas. Nos dias de Jesus, eles jejuavam contristados, com rostos desfigurados, como forma de dar a entender aos homens que estavam jejuando27. Uma prática freqüente dos fariseus era jejuar nas segunda e nas quinta-feiras, porque estes foram os dias de mercado, e assim haveria maior audiência para ver e admirar a piedade deles.

i) Jejue divorciado da falsa piedade. Ao contrário dos fariseus hipócritas, que revestidos duma piedade superficial, jejuando para chamar a atenção dos homens, jamais devemos esquecer, de que a principal obra do jejum bíblico está no reino espiritual28.
1 Êxodo 34:28.
2 I Samuel 1:7.
3 II Samuel 1:12 e 12:22.
4 Mateus 4:2.
5 Marcos 2:18 / Lucas 5:33.
6 Daniel 1:8.
7 Juizes 20:26 / I Samuel 14:24 / II Samuel 1:12 ; 3:35.
8 II Crônicas 7:14.
9 Mateus 5:13.
10 Daniel 10:2-3.
11 Daniel 10:12.
12 I Coríntios 9:27.
13 Filipenses 3:19.
14 Juízes 20:26.
15 I Samuel 7:6.
16 I Samuel 1:7.
17 II Samuel 3:32-35.
18 Mateus 4:2.
19 Atos 13:2.
20 Mateus 9:14-15.
21 Cantares de Salomão 8:14.
22 Apocalipse 22:17.
23 Isaías 58:3.
24 Salmos 69:10.
25 Ester 4:16-17.
26 Lucas 4:1-13.
27 Mateus 6:16.
28 Mateus 6:17-18.

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